A cultura ainda pulsa, por Luciano Malásia

Recebo com muita honra e alegria o convite para fazer parte deste time.

Começo falando um pouco sobre minha trajetória. Meu nome é Luciano mas sou mais conhecido como Malásia. Sou músico percussionista autodidata. Sou natural de Porto Alegre.

Como quase todo jovem da minha geração, aos 17 anos já havia formado minha primeira banda. No final de 1990, o baterista dessa banda me convidou para tocar em uma faixa que estava sendo produzida com outra banda na qual ele tocava. Coincidentemente as bandas ensaiavam em um mesmo estudo, em horário colado, então certo dia fiquei depois do ensaio ver a tal banda do meu amigo e saber como poderia colaborar.

Essa banda se chama Ultramen e ainda está na ativa até os dias de hoje.

Tocando ao lado deles, criamos uma identidade musical e acabei por me profissionalizar. Após lançar vários discos, com 17 anos de atividade ininterrupta, a banda optou por encerrar atividades por tempo indeterminado em 2008 e acabei vindo morar em São Paulo.

Disposto a me afastar da vida financeiramente incerta de músico, desenvolvi outras atividades nesta megalópole: trabalhei em uma produtora, com eventos e na criação de conteúdo artístico para a MTV Brasil na época. Reforcei uma carreira como DJ, atividade que eu já exercia paralelamente à de músico. E continuei uma atividade como radialista, trabalho que eu já tinha feito na Rádio Ipanema FM, pertencente ao grupo Band no Rio Grande do Sul. Só que desta vez me inseri no ambiente das rádios virtuais e comunitárias.

Como paixão falou mais alto, tive duas bandas em SP: Apolonio, em 2009, e Os últimos Românticos da Rua Augusta, entre 2011 e 2013. Como músico contratado fiz parte da tour do Agridoce, um projeto paralelo da cantora Pitty e do seu guitarrista Martin Mendonça, durante um tempo de hiato da carreira da banda por quase dois anos.

Em 2013, ao final da tour do Agridoce e depois de 5 anos de inatividade, a Ultramen voltou à ativa e eu retornei ao meu posto. Acabamos de lançar um disco de inéditas depois de 12 anos sem registro fonográfico.

Todas essas atividades me colocaram em contato com diversos tipos de manifestações culturais. São Paulo tem uma produção cultural bastante diversificada e variada. Foi um dos motivos principais de eu ter escolhido essa cidade para viver. Tantos centros culturais, museus, bibliotecas, cinemas, Sescs e lugares para apreciar cultura, sobretudo música, tornam essa cidade um pólo de manifestações de arte.

E é basicamente sobre o que vou falar neste espaço: cultura, arte e entretenimento.

Isso é mais do que necessário neste momento em que existe uma disposição bastante equivocada de parte do governo federal em atacar as manifestações artísticas, tendo por base uma guerra ideológica que, na minha opinião, não faz sentido.

Sei, até por experiência própria e pelas coisas que vi ao longo da vida, que cultura, entretenimento e arte são válvulas de escape necessárias para quem vive nosso cotidiano. São inclusive fonte de renda e gerações de imposto. E de postos de trabalho para toda uma gigantesca mão de obra que vai da faxineira ao artista principal em um complexo tecido de especializações necessárias para a realização de um espetáculo musical.
De um filme.
De um espetáculo teatral.
Da criação e manutenção do mercado literário.
De um espetáculo de dança.
De uma atividade circense.
Enfim, de todas as atividades artísticas e culturais, sejam elas permanentes ou sazonais.

Minha ideia não é discutir política ou ideologia e sim estimular a vontade das pessoas buscarem conhecimento e lazer através de manifestações culturais, sejam elas quais forem.

Dito isso, agradeço o convite e espero que este humilde escriba esteja à altura da tarefa.

Dicas e pequenos ensaios sobre este universo amplo, focado principalmente na música que, é o meio onde vivo, serão servidos com generosidade por aqui.

Aproveitando a simbologia de renovação da Páscoa, que acontece neste belo domingo enquanto produzo esse texto, vamos em frente com mais um desafio.

A cultura ainda pulsa.

Luciano Malásia
Músico e DJ. Escreverá quinzenalmente no blog da Dublab Brasil.