10 álbuns de música brasileira lançados entre 2019 e 2020

A convite de Discogs, os colaboradores da dublab Brasil indicaram seus álbuns de música brasileira favoritos lançados entre 2019 e 2020. Este post foi publicado no blog de Discogs em setembro (leia aqui). Aqui você confere a versão original em português:

Artista: Itamar Assumpção e Banda Isca de Polícia
Álbum: Às Próprias Custas S/A (Scubidu Music)
Lançamento: Dezembro/2019

(Por Maurício Gaia)

Uma das grandes crueldades da música pop é o artista póstumo: aquele que só tem o devido reconhecimento depois de morto. Um dos grandes casos da música brasileira se chama Itamar Assumpção. Vindo do Paraná, estourou no movimento da Vanguarda Paulista, nos anos 80. Flertou com o sucesso popular,mas sempre bateu na trave. Sem ceder um milímetro de suas convicções artísticas, tinha poucas portas abertas, mas abrindo a mata com um canivete, enfrentou o mercado de maneira independente.

Ano passado, foi relançado seu álbum ao vivo “Às Próprias Custas S/A”, registro de um show realizado na Sala Funarte, no dia 15 de novembro de 1982. As condições precárias da gravação,”às próprias custas”, não empanam o brilho de uma banda afiadíssima e com um repertório excepcional, com músicas como “Amanticida”, Que Barato” ou “Nega Música”. Viva Itamar Assumpção, viva a música brasileira!

Artista: Céu
Álbum: APKA! (Slap)
Lançamento: Setembro/2019

(Por Debora Pill)

Esse é o quinto disco da compositora e cantora Céu. Um disco quente, minimalista. Cheio de contrastes: tem soul, ruído, tecnopop, funk, coro, violão, white noise, anos 50 e inteligência artificial. Tem novos lugares no compor e também no cantar que Céu explora. Ela canta em registros e tessituras pouco familiares até então.

É também um disco selvagem, cheio de eletricidade. Traz literalmente a força de um parto natural. A primeira música composta foi “Ocitocina”. Céu diz que a viagem pela “Partolândia” foi de fato um passeio por seu lugar mais primitivo e selvagem. O disco nasceu nessa ambientação.

APKA! é uma palavra inventada pelo filho mais novo de Céu, Antonino, que ele usa pra expressar satisfação total. É um grito. Só que da ordem do amor.

Artista: Atônito
Disco: Aqui (Baticum Discos)
Lançamento: Julho/2020

(Por Amadeu Zoe)

Esse álbum mostra o amadurecimento do grupo formado por Cuca Ferreira, Loco Sosa e Ro Fonseca. O disco se propõe, através da música instrumental – embora tenha a participação de Luiza Lian em uma das faixas – a retratar o Brasil politicamente através de suas composições. Musicalmente o disco é forte e une diferentes recursos sonoros, além da próprias composições e arranjos que são bem fortes e criam uma atmosfera muito agradável na escuta.

Artista: Vários
Álbum: Cantos Populares do Brasil de Elsie Houston (Goma-Laca)
Lançamento: Junho/2019

(Por Giu Nunez)

Lançado em junho de 2019 em CD, esse disco foi inspirado nas canções anotadas por Elsie Houston no livro “Chants Populaires du Brési”, publicado em 1930 na França, com cancioneiro popular que passeia por gêneros como lundus, modinhas, cocos, emboladas, acalantos, cantigas indígenas e do candomblé, muitos deles escutados e anotados pela própria Elsie em suas andanças pelo país. 
Minha faixa favorita é Nozani-ná (Canto Paresí), com destaque para a participação da Alessandra Leão na voz e caxixi, acompanhada por contrabaixo acústico (Marcos Paiva), vibrafone (Beto Montag), flauta (Junior Kaboclo) e coro (Filipe Massumi), fazendo uma livre adaptação do canto e também do Walalô, uma flauta do gênero feminino que canta, instrumento sagrado do povo indígena Haliti Paresí, que hoje vive em cerca de 3.000 em 63 aldeias no Mato-Grosso.

Artista: Marcos Valle
Álbum: Cinzento (Polysom)
Lançamento: Janeiro/2020

(Por Fábio Lafa)

É supreendente como a arte é uma das fontes de juventude das mais eficazes. Já nas primeiras semanas de 2020, o carioca Marcos Kostenbader Valle, especialista em ser jovem há mais de meio século nos agracia com a obra “Cinzento”, pela gravadora e prata da nossa casa, Deck/Polysom.

Com uma musicalidade que atestam esse astral que atravessa lindamente os tempos, da bossa-nova sua origem, passando pelos sintetizadores e arranjos que o consagraram como um dos grandes nomes da leitura brasileira do boogie dos anos 70, presentes em “Rastros Raros”, e com letras que se conectam rapidamente às nossas vidas e anseios, como na segunda faixa “Se Proteja”:
Se algum perigo se aproximar
Proteja aquilo que te mantém vivo no ar
Evite o risco de se afogar
Procure abrigo acima do nível do ar

O disco Cinzento conta com um time impecável de colaboradores: nomes como Jorge Vercillo, Zélia Duncan, aos talentosos e detentores do legado da música da Bahia Moreno Velloso e Bem Gil, o rapper Emicida e o irmão mais velho de Marcos, Paulo Sérgio Valle – caneta de ouro dos clássicos da nossa música popular.

A brincadeira sobre falar dos tons “cinzentos” da vida, é boa. A música de Marcos Valle é vibrante, é cor com saturação. Música que pulsa e permanecerá pulsando, 29 discos de estúdio depois. É inegável o carisma de Marcos Valle, e a lição de vida em Cinzento. Contagiante.

Artista: Various Artists
Álbum: Incarn EP (ODDiscos)
Lançamento: Maio/2019

(Por Vivian Penzes)

Incarn EP é o primeiro lançamento da ODDiscos, gravadora que representa a infame série de eventos ODD de São Paulo. Lançado em Maio de 2019, o EP reúne quatro faixas originais dos residentes Frontinn, Davis, Vermelho e Zopelar, explorando diferentes esferas da música eletrônica.

Artista: Ira
Álbum: Ira
Lançamento: Junho/2020

(Por Marcelo Moreira)

Foram 13 anos de hiato com muitos projetos paralelos, muitas brigas, ações judiciais e bate-boca pela imprensa. Quando tudo se acalmou, apenas metade do Ira! voltou à ativa. Acústico ali, folk aqui, e finalmente Edgard Scandurra e Nasi compuseram um disco de inéditas que surpreendeu quem pensava que seria mais do mesmo. A ferrugem foi sacudida e “Ira!” surge moderno, com letras maduras e um rock que procura referências no passado, mas que projeta um futuro bem interessante para dois quase sexagenários à beira dos 40 anos de carreira.

Artista: Kiko Dinucci
Álbum: Rastilho (Três Selos)
Lançamento: Janeiro/2020

(Por Gui Werneck)

Rastilho é um primor. O que fala mais alto no disco é o som do violão, totalmente afro-brasileiro. Mas toda a gravação reverencia a sonoridade de clássicos dos anos 60, de Baden Powell a Geraldo Vandré. Sempre com a pegada punk do Kiko. E ainda tem participação de Juçara Marçal, Ogi e Ava Rocha.

Artista: Black Machine
Álbum: Respeite O Funk (Galeria Resistor)
Lançamento: Novembro/2019

(Por Tee Cardaci)

After 10 years together as one of Minas Gerais state’s best kept secrets, Black Machine has finally unleashed on the world their brand of raw 70’s grooves in the form of their debut LP, “Respeito O Funk”. Two tracks off the album, “Ver Brilhar” and “Novidade”, first started getting spins from global-minded funk DJs when the band released them on a 45 in 2017. That 7″, in a hand stamped sleeve and limited to a press of 350 copies, now trades for upwards of $50 in the Marketplace. Fans of JB, Sly, Mandril, Ohio Players and Isaac Hayes as well as Brazilian funk royalty, Sandra de Sá, Tim Maia and Gerson King will find a lot to love in the eight original tunes featured on the LP. Gerson King himself makes an appearance on the cut, “Falou e Disse” and the title track, “Respeito O Funk”, goes hard with a syncopated groove reminiscent of Go-Go and a vocal and bassline that riffs off the Skull Snaps classic, “It’s A New Day”. And the title, “Respect The Funk” in English, describes the band’s reverence toward their idols as much as their approach to recording. The album was recorded to tape at Bunker Analog studio in Belo Horizonte using all vintage gear and techniques and the attention to details oozes through. After all that effort, it was only just that this celebration of vintage funk would get a beautiful vinyl pressing. Yes, it’s on Spotify, but this is music made for your turntable.

Artista: Marcos Valle
Álbum: Sempre (Far Out Recordings)
Lançamento: Junho/2019

(Por Mok Groove)

O álbum “Sempre” de Marcos Valle marca o retorno do artistas ao trabalho solo. Lançado pela editora inglesa Far Out Recordings, o vinil traz 5 canções de autoria de Marcos Valle e 2 em parceria com Daniel Maunick, que também é o produtor da obra. Já o CD é acrescido de mais uma música própria e outra de Lulu Santos, além de duas versões instrumentais. O disco conta com participação do baixista Alex Malheiros, do guitarrista Paulinho Guitarra, do percussionista Armando Marçal e, nos metais, o saxofonista Jessé Sadoc e o trombonista Aldivas Ayres. A sonoridade tem um fusão jazzy funk boogie com nuances de samba e estilo bossanovista, numa atmosfera estética oitentista, mas modernizada e atual. Destaco as faixa ‘Olha quem tá chegando’ e ‘Alma’, sempre presente nos meus dj sets.